ISO 9001:2026: o que mudou, prazos e o que fazer na sua empresa
A nova versão da ISO 9001 saiu em setembro. Veja o que muda de fato, o que continua igual, os prazos da transição e por onde começar.
· 4 min de leitura

A nova versão da ISO 9001 foi publicada em 16 de setembro de 2026, e a ABNT publicou a tradução brasileira em outubro. Se a sua empresa é certificada, o certificado atual não perde a validade de um dia para o outro. Mas o relógio da transição já começou.
A boa notícia é que a estrutura da norma continua conhecida. A maior parte do trabalho é ajustar o que já existe e conseguir mostrar evidência dos pontos novos.
Os prazos da transição
O cronograma da Global ACI, a entidade internacional de acreditação, tem estas datas principais:
| Data | O que acontece |
|---|---|
| 16/09/2026 | Publicação da norma e início da transição de três anos |
| 30/09/2027 | Data limite para as certificadoras concluírem a acreditação na nova versão e poderem emitir certificados |
| 31/03/2028 | Certificações iniciais só na versão 2026 |
| 30/09/2029 | Fim da transição: a auditoria de transição precisa ter sido feita |
Na prática, a data que vale para a sua empresa é a que você combinar com a certificadora. Pergunte em qual auditoria a transição vai entrar: uma de manutenção ou a recertificação.
O que muda de fato
Estes são os pontos que eu olharia primeiro:
| Requisito | O que muda | O que separar como evidência |
|---|---|---|
| 5.1 Liderança | A alta direção passa a ter o papel explícito de promover a cultura da qualidade e o comportamento ético | Decisões, comunicações e análises críticas em que a direção trata do tema |
| 7.3 Conscientização | As pessoas precisam conhecer a cultura da qualidade e o comportamento ético esperado | Integração, treinamentos e conversas de rotina registrados |
| 6.1 Riscos e oportunidades | O item foi dividido: ações para riscos de um lado, ações para oportunidades do outro | Levantamento revisado, com as duas listas e as ações de cada uma |
| 6.3 Planejamento de mudanças | Mudanças no sistema precisam ser planejadas, considerando objetivo, consequências, recursos, responsáveis, comunicação e como avaliar o resultado | Registro das mudanças relevantes, com responsável e avaliação do resultado |
| 4.1 Contexto | A mudança do clima continua no contexto: a empresa decide se o tema é relevante para o sistema | Análise de contexto com a decisão e o motivo |
| 10.1 Melhoria | Os itens 10.1 e 10.3 viraram um único item de melhoria contínua | Procedimentos e matriz de requisitos com a numeração nova |
| Anexo A | Foi revisado e explica como interpretar os requisitos. É informativo, não cria obrigação | Vale ler antes de revisar os procedimentos |
Também há ajustes menores em outros itens, por isso a comparação com o texto completo da norma continua necessária.
O que continua igual
A estrutura geral segue a mesma lógica. A norma não ganhou um requisito próprio sobre inteligência artificial.
O item 10.2, de não conformidade e ação corretiva, mantém a mesma estrutura. Isso não quer dizer que ele pode ficar de fora da sua preparação. Se as ações corretivas de hoje já não mostram causa, prazo e eficácia, a troca de versão não resolve, e o auditor vai continuar olhando para isso.
Por onde começar
- Compre a norma na ABNT e leia o texto completo. Resumo ajuda a entender o assunto, mas não substitui a norma na hora da auditoria.
- Compare requisito por requisito com o seu sistema atual. Para cada diferença, anote o que falta, quem cuida e até quando.
- Fale com a certificadora e confirme em qual auditoria a transição entra.
- Converse com a direção cedo. Cultura da qualidade e comportamento ético não se resolvem com um documento novo feito pela qualidade.
- Atualize a auditoria interna para verificar os pontos novos antes da auditoria externa.
O que eu faria no seu lugar
Eu não começaria reescrevendo o manual. Começaria pela comparação com a norma e por uma conversa com a direção, porque é ali que estão os pontos mais difíceis de improvisar na véspera.
E aproveitaria a transição para olhar com honestidade o que já é exigido hoje. Em muita empresa, o risco maior não está no requisito novo. Está na ação corretiva antiga, aberta há meses, sem evidência de que resolveu.
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